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O Guia Básico de Royalties para Artistas Independentes e Coletivos Criativos

  • Foto do escritor: Gelatto Rec
    Gelatto Rec
  • 14 de mar.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 26 de mar.

Spotify. Reprodução: Internet
Spotify. Reprodução: Internet

No cenário atual da música independente, muitas das melhores ideias nascem de encontros criativos.


Um beat começa em um estúdio, um verso surge em uma sessão, outro artista entra com um refrão e, de repente, aquela colaboração vira uma música pronta para o mundo.


Esse tipo de processo é muito comum no hip-hop, rap, trap, boombap e em outras cenas onde artistas, produtores e criadores trabalham juntos de forma orgânica.

Mas junto com a parte criativa sempre aparece uma pergunta importante.


Como dividir os royalties de uma música?

Para muitos artistas que estão começando a organizar seus próprios projetos, esse tema pode parecer complicado ou distante. Na prática, porém, entender como funcionam os royalties é uma das bases para construir projetos musicais saudáveis, transparentes e sustentáveis.


Se você ainda está entendendo como funciona o processo de lançamento de uma música, vale também dar uma olhada no nosso guia sobre como lançar música no Spotify sendo artista independente, onde explicamos temas como distribuição digital, plataformas e código ISRC.



O que são royalties?


Royalties são, basicamente, os valores gerados pelo uso de uma música.


Sempre que uma faixa é reproduzida em plataformas de streaming, tocada em rádio, usada em um vídeo, executada em público ou licenciada para um projeto audiovisual, ela pode gerar remuneração para as pessoas que participaram da sua criação e gravação.


Em projetos independentes, entender como esses valores circulam e são divididos ajuda a evitar conflitos e fortalece as relações criativas dentro de um projeto.


Mas para entender essa lógica, primeiro precisamos falar de uma coisa importante.


A diferença entre obra e fonograma


O primeiro tipo de direito é o direito da obra, que está ligado à composição da música.

Aqui entram a letra, a melodia e a estrutura da canção. Em outras palavras, a obra é a ideia musical em si. Aquilo que poderia ser tocado no violão ou cantado mesmo antes de existir uma gravação oficial.


Esse direito pertence aos compositores da música e, em alguns casos, pode ser compartilhado com editoras ou publishers.


O segundo tipo é o direito do fonograma, que está ligado à gravação da música.


É a versão específica que as pessoas escutam nas plataformas digitais, no YouTube ou em qualquer outro lugar. Esse direito geralmente pertence ao artista que lançou a música, ao produtor fonográfico ou a um selo que participou da produção e do lançamento.


Essas duas camadas existem ao mesmo tempo dentro de uma mesma faixa. A composição gera royalties relacionados ao uso da música como obra, enquanto o fonograma gera royalties relacionados ao uso daquela gravação específica.


Entender essa diferença é um dos primeiros passos para organizar qualquer projeto musical.



Como funciona a divisão da composição


Quando falamos da divisão entre compositores, a lógica costuma ser relativamente simples.

A porcentagem da composição é dividida entre as pessoas que participaram da criação da música. Se duas pessoas escreveram a letra juntas, por exemplo, é comum que a divisão seja meio a meio.


Em outros casos, pode haver três ou quatro compositores envolvidos, e as porcentagens são definidas de acordo com a participação de cada um.


Em muitos estúdios e sessões criativas, essa divisão é decidida de forma coletiva no momento em que a música nasce. Não existe uma regra única.


Alguns projetos preferem dividir igualmente entre todos os envolvidos na criação. Outros escolhem distribuir as porcentagens de acordo com quem contribuiu mais diretamente com letra, melodia ou estrutura.


O mais importante é que essa conversa aconteça de forma clara entre todos os envolvidos.


E o fonograma?


Já no caso do fonograma, a divisão envolve as pessoas responsáveis pela gravação e pelo projeto musical.


Aqui entram artistas, produtores musicais, selos e, às vezes, músicos que participaram da gravação.


Em projetos independentes, é muito comum que o artista principal seja também o dono do fonograma, especialmente quando ele mesmo financia a produção ou lança a música através de uma distribuidora digital. Nesse caso, ele controla os royalties gerados pela gravação.


O produtor musical também pode participar dessa divisão. Dependendo do acordo, ele pode receber um valor fixo pela produção ou uma porcentagem dos royalties do fonograma.


Em muitas cenas, especialmente no trap, o produtor entra como parceiro criativo do projeto e recebe uma participação na música.


Em outros casos, o produtor vende o beat ou a produção por um valor fechado. Em outros, ele mantém participação na música e recebe uma porcentagem sempre que a faixa gera receita.


Tudo depende do acordo feito entre os envolvidos.


Por que definir os “splits”


Dentro da indústria musical, a divisão de porcentagens costuma ser chamada de splits.


Os splits são simplesmente a definição de quanto cada participante recebe pelos royalties da música.


Pode parecer um detalhe burocrático, mas definir esses percentuais desde o início é uma das práticas mais importantes em qualquer projeto musical.


Quando todo mundo entende qual é a sua participação e concorda com ela antes do lançamento, muitos problemas são evitados no futuro.


Royalties também são sobre relações criativas


produção musical e royalties

Isso é especialmente relevante em cenas como no trap, onde a colaboração faz parte da cultura.


Beats circulam entre produtores. Artistas participam de faixas uns dos outros. Projetos muitas vezes nascem de conexões espontâneas entre criadores.

Ter clareza sobre royalties não diminui a liberdade criativa. Na verdade, ajuda a protegê-la.


Quando artistas e produtores se sentem valorizados e reconhecidos pelo que criaram, as parcerias tendem a continuar. Muitas carreiras importantes da música nasceram justamente de colaborações consistentes entre artistas, produtores e coletivos criativos.


No final das contas


Royalties não são apenas números ou contratos.


Eles fazem parte da estrutura que sustenta uma música depois que ela é lançada no mundo.


Entender como funcionam esses mecanismos ajuda artistas independentes a terem mais controle sobre seus projetos e a construir uma cena mais profissional, transparente e colaborativa.


Para quem está desenvolvendo seus próprios projetos ou trabalhando dentro de um coletivo criativo, essa organização é um passo importante.


Quanto mais clareza existe sobre a divisão da música, mais espaço sobra para o que realmente importa.


Criar, experimentar e continuar fazendo novas ideias acontecerem.


Sobre o autor:

Evaldo Pedrosa é carioca e cofundador da Gelatto Rec. Trabalha na direção estratégica e conceitual dos projetos do selo, conectando identidade, estética e posicionamento. Apaixonado por música, cinema e cultura urbana, acredita que o grave certo e a ideia certa mudam tudo. Para ele, talento é potência. Direção é o que transforma em artista.


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